Cara, é muito estupidez, mas agora fico pensando. Eu vou ficar muito puto o dia que morrer. Na moral! Não por morrer, apenas, o que já é obviamente o motivo mais honesto e justificável para se estar puto. O sujeito sabe que vai morrer hoje. Alguém vai criticá-lo se passar o dia todo de cara fechada, introspectivo ou turrão? Duvido. Bem, mas existe uma outra razão que acabei pensando ontem
Como já contei, à exaustão, para um monte de gente ontem eu vi o trailer do Apocalipse. Tipo, tinha maremoto na Baia de Guanabara, meteoros caindo do céu conjurados por Duendes que pude ver , mas é porque a chuva forte inundava os vidros do coletivo. Quem garante que não eram eles? Haviam pragas (estas vieram comigo no ônibus) gritando pela janela "olha o tubarão", "onde compro um jetski?" e outras coisas sacaneando os pedestres. Teve uma hora que chamaram uma menina de homem-aranha (isso mesmo: homem) por razões que desconheço. Enfim, nesse cenário desastroso eu fiquei pensando no El Niño, Efeito estufa, Bush (não a banda, o presidente), furacões e outras coisas ruins e pensei "caralho, se eu morro aqui, agora nenhuma das pessoas quem e cercam vão saber o quanto gosto delas". Pavoroso, cara! Sou muito piegas, mas não poder dizer que amo meu irmão, meus pais, minha namorada, meus amigos. Sair de cena e deixá-lo com nada mais do que uma lágrima é uma coisa que não me agrada. Acho que o dia que eu morrer vou acabar sendo um daqueles espíritos de filme que não larga o osso e fica na terra tentando falar com as pessoas.
Vitor [Sábado, Outubro 29, 2005]